sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Guitar Wolf - O ruim que fica bom.


Guitar Wolf definitivamente não é o caso de obra que de tão ruim acaba sendo boa. Guitar Wolf é bom, e ponto. Me refiro exclusivamente ao filme Wild Zero de 2000 que tem a participação da banda. Banda que você conhece, certamente... não? Um bom motivo para eu adicionar a tag "MUSICA" no post e te apresentar esta pérola.

Há mais de vinte anos atrás surgia uma das bandas que viriam a ser a melhor banda de "jet rock'n'roll" dos hemisférios terrestres, sempre mantendo vivo o que eles consideram o bom e velho rock'n'roll. As influências vem desde Eddie Cochran e Jack Scott, até MC5, RAMONES e The Clash. Ela é composta por três figuras que trazem todos as referências de rock'n'roll que já conhecemos: a jaqueta de couro, o óculos escuro, o cabelo penteado com gel, ou grande cobrindo o olho, sapatos de couro e calças apertadas. Seria só mais uma banda, ok, mas além de estilosos, o som é único, perfeitamente identificável no meio de tantos, e eles cantam EM JAPONÊS. Cantam em inglês também, mas em um inglês que tem tanto sotaque, é tão arrastado, que chega a ser hilário e me faz acreditar que não passa de embromação.

Uma das coisas mais legais da banda, é que cada um tem o seu próprio apelido baseado na sua função. Seiji, vocalista e guitarrista, há mais de vinte anos atende por Guitar Wolf. O atual baterista, Toru, atende por Drum Wolf e o baixista, U.G., Bass Wolf. A banda nem sempre teve essa formação, pois em 2005 um integrante morreu no meio de uma turnê, provavelmente de ataque cardíaco. A banda entrou em um recesso de um ano e meio e voltou nesses últimos. Até chegou a tocar no Brasil em 2003 (ainda não conhecia a banda. E que meus olhos queimem no inferno se eu não for no próximo show, quando tiver e se tiver).

O fato de Guitar Wolf carregar um apelido assim por vinte longos anos somado à música que ele faz, já faz ganhar meu respeito. Uma fanzine amadora do Japão, há anos, publicou algo sobre o ritual que Seiji faz antes de ir para um show. No seu apartamento ele se dirige a uma sala de vidro que contém a sua guitarra e a sua jaqueta. Lá ele se alimenta de "energia do rock'n'roll". Maluquisse nada. Maluquisse mesmo é o fato dele ele não tirar NUNCA seus óculos escuros. Quando digo nunca, é exatamente isso o que quero dizer. Ele toma banho com seu óculos de sol; ele dorme com seu óculos de sol. Lembra muito o Santo e Blue Demon, lutadores de wrestling mexicano, mais conhecido como Lucha Libre. A diferença é que eles tiram as máscaras quando perdem uma luta.

Em 2000 surgiu um filme de zumbis com a participação dos três. Um jovem chamado Ace, indignado por ver somente o show pela metade do seu maior ídolo, vai atrás da administração do clube de rock reclamar e acaba salvando Guitar Wolf da morte, que estava cobrando o seu dinheiro. A partir daqui os dois viram irmãos de sangue, e Guitar Wolf jura ajudar Ace quando ele precisar de ajuda. Acontece logo, após uma infestação de zumbis. O longa é o exemplo perfeito de filme que é tão ruim que acaba ficando bom. As atuações são horríveis. Guitar Wolf é digno de Oscar comparado aos outros atores, porque afinal, ele não diz muita coisa ao longo de Wild Zero, se comunica pouco e metade do tempo está empunhando uma guitarra que ele carrega por todos os cantos e tocando alguma música boa pra caralho. Tem seu ápice desembainhando a sua espada que fica dentro de sua guitarra e cortando uma nave de uns 400 metros, ou tirando uma magnum, apontando para o zumbi e gritando com sotaque "LOCK N' LOLL!".

No Wild Zero ele é um herói dos quadrinhos fora dos quadrinhos, adaptado como ídolo do rock. Vale a pena assistir. É bom. Muito bom.... de tão ruim.

Postado por Douglas.

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