terça-feira, 5 de janeiro de 2010

The Orphan

Quando criei este blog, estipulei a mim mesmo uma regra secreta: não postar filmes que não me agradassem, ou seja, a ideia sempre foi postar recomendações OU postar algo que eu considerasse pertinente em algum filme, como ideia ou opinião latente, como no caso de Mysterious Skin ou Stalker, que falam de pedofilia e religião, nessa ordem. Devido a isso, não cabia dividir com vocês, ilustres presenças, peças que eu desconsidero como boas recomendações. Não acho que vocês mereçam ler sobre um boneco de gengibre assassino de 15 CM ou sobre um filme chamado snake man, que não tem nem cobra e nem homem-cobra.

Vou quebrar esta regra pela primeira e (talvez) última vez. Você pode considerar este post como um aviso: não assistam The Orphan. Quero dizer, assistam. Por nenhum motivo alguém deve deixar de ver um filme, por pior que seja ele. Tive bons momentos assistindo Plan 9 from Outer Space. Então eu retifico, ASSISTAM THE ORPHAN, mas antes, leia este post, desta vez, sem spoilers.

The Orphan é sobre uma mãe, que ao perder uma filha no parto, adota uma criança encantadora que acaba se revelando um pesado na vida da família.

Nada de sobrenatural, nada de fantasmas, demônios ou coisas do gênero: terror psicológico, assim como vemos no Iluminado, por exemplo. O filme é embasado neste conceito, o que não deu muito certo. Se lembra da cena em que o pequeno Danny anda com o seu triciclo em um corredor, sendo o único som o barulho da roda em movimento, no filme O Iluminado? Ou então a cena em que o padre para em frente a casa da possuída Regan ao som da música mais sombria já criada? Isso é o que eu chamo de terror psicológico. The Orphan se utiliza da forma mais canastra possível para conseguir a sua estimada atenção: te pressiona para que você crie uma raiva imensa contra a personagem, para que um suposto final feliz vingue o sentimento de ódio criado durante o filme. Eu confesso que a técnica, se bem aplicada, gera bom resultado, como no caso de Dogville, mas no The Orphan, exclusivamente, o final é MUITO previsível¹, o que torna todo o filme, de certo modo, bem inútil. Me lembrou as novelas da televisa: a irmã usurpadora faz gato-e-sapato por 200 episódios, até que o bem vence e você pensa como é bom ver o dark-side se fodendo feio.

Por fim, não é um filme que eu indicaria para o meu melhor amigo. Sei que talvez muitos tenham gostado, mas particularmente, não consigo assistir esses filmes que usem esse tipo de artifício para prender atenção.

Postado por Douglas.

¹ spoiler: previsível no quesito de saber, mais um vez, que o bem sempre ganha. Mal fazia ideia de que ela era uma pessoa de 33 anos e nem me passou pela cabeça que o pai da familia iria morrer, mas isso porque nenhuma intimidade é criada entre quem assiste~quem atua, provavelmente pela fraqueza do roteiro.

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